segunda-feira, 14 de junho de 2010

A PALAVRA... poema

Está sumida a palavra
que revela o doce mistério
que é tentar advinhar,
o que me dizem seus olhos.

Não precisa da palavra...
quem só alimenta o tesão:
é tudo cara na cara,
é tudo mão na mão,
é tudo beijo no beijo,
dura pouco a intenção...

A palavra
é uma faca serrilhada
na boca cheia de ódio,
arrebenta quando entra
e,quando sai, deixa destruição.

Eu ainda acredito,
minha teimosia espera
que a palavra é algodão doce,
na boca de que pronuncia,
solidária se derrete,
ouvidas por certas pessoas.

A palavra que eu guardo
na maleta da emoção,
recebe minha visita,
nada de obrigação,
é a palavra saudade
que me traz recordação...

A palavra de nós dois
pisou descalça nas nuvens,
foi levada de repente
prá dentro de uma tormenta,
desde então tanquei a porta
que conduz ao coração.

As palavras que agora amo
não são aquelas impressas
de simples significação.
São palavras que eu ouço
enquanto faço o jantar
ou, em minha sala de estar
bebendo uma taça de vinho;
palavras que eu sei de cor.
São palavras com histórias.
São palavras com memórias.
Cantam juntas ,misturadas,
me fazem desejar ser melhor.
São as palavras que brilham
nas canções de Belchior.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

ARDENTE poema

Céu de breu,vento estocado.
Noite rude,noite com fome.
Leito tão quente,corpo orvalhado.
A dança sem nome.
O fogo apagado.

Na manha da manhã
não há luz de lampião.
O dia é puro sangue.
Meu corpo é puro sal.
Esse momento é quase doce
de laranja lima limão.

O sol que queima sua pele,
derrete minha emoção.
Um pouco de água fria
prá acalmar a sua febre
e,o ardor dessa paixão.

terça-feira, 8 de junho de 2010

VEM AMOR poema

Vem amor.
Está na hora.
Está no jeito...
Vou fazer nossa cama na varanda
ou balançar despreocupados na rede amarela.
O céu está estrelado e a noite branda.
Um bom final para o dia de aquarela.

Vem amor.
Está na hora.
Está no jeito...
A tempestade varreu todo o começo,
nos colocou nessa linha pendurados...
Até na paz o mundo botou preço.
Felicidade não manda mais recado.

Vem amor.
Está na hora.
Está no jeito...
Não quero o mundo,apenas um quintal,
prá por meus bichos,as plantas,os pés no chão.
Um enderêço aos amigos e prá chegar o meu jornal.
A sensação perigosa de equilíbrio no sabão.

Vem amor.
Está na hora.
Está no jeito...
A insegurança tempera esse mundo imperfeito
mas,se você me der a sua mão,
no quarto escuro vou encontrar o nosso leito
e,em fogo lento vou queimar essa paixão.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

SAGA DE SAPATINHO poema

Sapatinho se prendeu na gelatina,
ficou com uma forma bizarra.
Nadou doze meses na piscina,
foi retirado quase na marra
todo lambuzado de mel e purpurina.

Sapatinho de lã.
Sapatinho estava fofo de lã,
pisou macio em meu rosto,
quis passear de manhã.
meus abraços ele fez de encosto
e eu virei sua maior fã.

Sapatinho de lona.
Sapatinho se cobriu com a lona,
correu feliz pela praça,
de seu coração virei dona.
O mundo era seu e de graça.
O seu quarto,um circo,uma zona.

Sapatinho de vidro.
Sapatinho brincou na areia,se sujou de vidro.
Construiu um castelo encantado,
colocou sua felicidade num quadro,
andou nas nuvens,avoado,
com apreensão daqueles dias me lembro.

Sapatinho de couro.
Sapatinho foi ao campo,se vestiu de couro.
Queria conforto e segurança.
Andou procurando um tesouro
que poderia ter sido uma criança
ou um grande pote de ouro.

Sapatinho de algodão.
Alguém bondoso vestiu Sapatinho de algodão.
Depositou-o tranquilo na caixa.
Negros e brancos,ricos e pobres no salão
conversam com as vozes baixas
pois falhou seu coração.

terça-feira, 1 de junho de 2010

POLEIRO DE ANJOS poema

Não sei se foi o destino
ou falta de acomodação,
juntaram-se alguns meninos
dentro de um barracão.

Alguns deles de família,
outros...também assim.
Diferentes na ilha,
se acomodaram no fim.

Os mais velhos aqui se encostaram,
não são exemplos a seguir,
bebem,fumam,também roncam.
Fazem a visita fugir.

Os mais novos,que esperança!
Seguem essa sina de loucos,
nem adultos,nem crianças,
aprontam tudo,como poucos.

Nesse poleiro de anjos
sem muita arrumação,
seguem a vida os marmanjos,
fazendo muita armação.

Gue veio do interior
atrás do amor e emprego.
Não vai mais ser doutor,
êle quer muito sossego.

Todo final de semana
desidrata-se com cerveja.
Não é bobo,não se engana.
Segunda,a mão do patrão ele beija.

Êle é amigo de Nando,
menino de pavio curto e, calado.
A latinha prá Nando,vai dando...
Quem sofre é a mãe do coitado.

Nando gasta um tempo tremendo,
diante do computador,
cria coisas que só vendo...
e,se afasta do mundo assustador.

Raf tem bons sentimentos
mas distribui sem critérios,
por isso sofre os tomentos
de quem não o leva a sério.

É o menino alegria
até sofrer uma dor,
envolve-se com tantas Marias
que sua vida fica sem cor.

Num cantinho espremido,
num cativeiro bem quente,
Jea e os seus comprimidos
prás dores que o corpo sente.

É o único na faculdade.
Vive à base de miojo.
Tem uma rara especialidade,
a de viver no estojo.

De livre e espontânea vontade,
para lá se bandeou,
estabanado apesar da idade,
quantas coisas ele quebrou.

Muitos são os seus amigos
que aqui recebem atenção.
Tem pão,afeto no abrigo,
sempre cabe um coração.

Todos juntos,ainda unidos,
se arranham pelo caminho,
na família são queridos,
mesmo estando fora do ninho.

Dedico este poema a: Rafael,Fernando, Guel,Jean,moradores do Poleiro e os amigos Alessandro,Bruno,Maurício,Jefferson,Cássio,Baia,Otoni,Lucas( reduto masculino).